Queda da patente do Ozempic abre mercado no Brasil, mas versões nacionais ainda aguardam aprovação

20-03-2026

A patente da semaglutida, princípio ativo utilizado em medicamentos como o Ozempic, expira nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, encerrando a exclusividade da Novo Nordisk sobre a substância no Brasil. A mudança abre espaço para a entrada de novos concorrentes no mercado e alimenta a expectativa de versões mais acessíveis ao consumidor, mas esse impacto ainda não deve ser imediato.

Apesar do fim da proteção patentária, o país ainda não conta com alternativas nacionais disponíveis nas farmácias. Isso porque a comercialização de novas canetas depende da aprovação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atualmente analisa 15 pedidos relacionados à semaglutida.

Entre os processos em andamento, dois estão em estágio mais avançado: os das farmacêuticas EMS e Ávita Care. Segundo informações já divulgadas, ambas receberam exigências técnicas no início de março e agora precisam apresentar esclarecimentos complementares à Anvisa. Caso as respostas sejam consideradas suficientes, a expectativa é de que ao menos uma nova versão possa ser aprovada até junho.

A demora na liberação ocorre em razão da complexidade da própria substância. A semaglutida não é tratada como um medicamento simples, de composição química facilmente reproduzível. Trata-se de uma molécula mais sofisticada, situada em uma zona intermediária entre o sintético e o biológico, o que exige um controle técnico mais rigoroso e análises mais detalhadas sobre segurança, eficácia e processo produtivo.

Esse cenário também reflete um desafio regulatório. Como o Brasil ainda não possuía uma norma completamente consolidada para esse tipo de produto, a Anvisa vem avaliando os pedidos com base em critérios técnicos específicos e referências internacionais, tornando o processo naturalmente mais cuidadoso.

Hoje, o panorama regulatório mostra que dois medicamentos sintéticos estão em fase de cumprimento de exigências, cinco seguem em análise com expectativa de decisão inicial ainda no primeiro semestre, e outros nove pedidos sequer tiveram a avaliação iniciada.

O interesse da indústria nesse mercado é expressivo. A EMS, por exemplo, anunciou investimento de R$ 1,2 bilhão para ampliar sua estrutura produtiva em Hortolândia, no interior de São Paulo, com capacidade estimada para fabricar até 20 milhões de canetas por ano.

Na prática, o fim da patente representa uma oportunidade importante para ampliar a concorrência e, futuramente, reduzir preços. No entanto, a chegada efetiva de versões nacionais da semaglutida dependerá do avanço regulatório e da aprovação técnica dos produtos pela Anvisa.

O que muda agora?
Com a queda da patente, outras farmacêuticas passam a poder disputar esse mercado no Brasil. Porém, até que os registros sejam aprovados, o consumidor ainda não verá efeito imediato nas prateleiras. A expectativa do setor é que os primeiros reflexos concretos comecem a aparecer nos próximos meses.

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