Cimed entra no mercado de suplementos com a marca “Urso” e disputa de propriedade intelectual ganha destaque
O mercado brasileiro de suplementos esportivos vive um momento de forte aceleração — e, junto com ele, cresce também a relevância de estratégia de marca, posicionamento e proteção jurídica. Um caso recente ilustra bem esse cenário: a Cimed, ao entrar no segmento de nutrição esportiva com a marca “Urso”, acabou enfrentando um impasse que resultou na perda do direito de uso do sinal, ampliando a exposição pública da UnderLabz.
A farmacêutica anunciou sua chegada ao setor buscando diversificar o portfólio e alcançar consumidores voltados a performance, bem-estar e saúde ativa. O lançamento chamou atenção pelo design das embalagens e por uma comunicação visual de alto impacto, alinhada ao padrão do setor fitness, onde identidade, comunidade e percepção de marca pesam tanto quanto o produto em si.
No entanto, a movimentação também evidenciou um ponto sensível: a construção de marca, especialmente quando envolve símbolos fortes, exige uma base sólida de proteção. O uso de elementos marcários semelhantes pode gerar questionamentos por violação de direitos, risco de confusão do consumidor e discussões sobre concorrência desleal — temas que têm sido tratados com rigor em disputas no âmbito administrativo e judicial.
Além do aspecto jurídico, o episódio produziu um efeito típico desse tipo de embate: mídia espontânea. A repercussão do lançamento já era significativa, e a controvérsia ampliou ainda mais a atenção do público para o símbolo e para as marcas envolvidas. Em um cenário em que atenção virou ativo estratégico, conflitos públicos costumam acelerar reconhecimento — inclusive para concorrentes, que podem ganhar notoriedade sem investimento proporcional em publicidade.
O caso também reforça um movimento maior: grandes empresas vêm avançando sobre categorias ligadas ao ecossistema de saúde, conectando medicamentos, nutrição e produtos funcionais. Com isso, aumentam as disputas por posicionamento, intensifica-se a judicialização envolvendo identidade visual e cresce a profissionalização da gestão de marca.
Para o mercado, a lição é clara: suplemento deixou de ser apenas nutrição — virou também território de marca. E, em um ambiente cada vez mais competitivo, não basta lançar com impacto: é essencial garantir segurança jurídica desde o início, com buscas, estratégia de registro e proteção adequada dos ativos intangíveis.
O que acompanhar a partir de agora
Especialistas recomendam atenção a três pontos: (i) os desdobramentos jurídicos e seus reflexos no setor; (ii) eventuais reposicionamentos e ajustes de identidade; e (iii) o avanço de novos players, que tende a elevar a competitividade e a frequência de disputas envolvendo marca e branding.
No fim, o recado é direto: em mercados onde identidade é valor, quem controla o símbolo controla uma parte relevante do jogo.
Fonte: https://muscleshowmag.com